quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Amo-te por isso adeus, até ontem

És minha.
São meus os olhos teus
Antes de os conquistar,
Como que já os tinha.
És minha.
Ah, bem chorei
E sofri
E não morri
Porque amor, um dia jurei
É de vida lei
E não de morte.
Ah, Sorte
Deste-ma. Ela é minha!
Em que me olhaste foi bela a hora
Agora, que te tenho...
Vou embora.
Porque não te quero perder. Esse sorriso que me ama quero sempre guardá-lo meu, como se eu fora uma ostra e tu a minha pérola, o meu diamante. Os diamantes são eternos. Sabes, gostava de morrer novo, mas como sou cobarde, vou morrer velho com pena de não ter morrido novo. Porque viver muito cansa, e a pele queixa-se, e o tempo não a ouve, o tempo não tem sentidos, o tempo só passa. Ah, que medo tenho dele. Ele passará para sempre, mas eu só por momentos passarei por ele. Depois morro que sou humano, e antes envelheço e choro ao olhar para trás. Não me estou a queixar, quem sou eu para implorar diferenças? Sim, amo-te, por isso adeus. Amanhã não olharei para o teu rosto do amanhã, mas recordar-me-ei, sempre, do teu sorriso de hoje. E não terei mais ninguém, sou rei de conquistar uma só terra. Vou-me sentar no meu trono de gente, enquanto Deus se ri porque Ele a todos ama e Ele todos tem. Desculpa, mas não posso ver o teu sorriso todos os dias e arriscar um dia ver o teu choro ou ver o meu por tua causa. Leva-me contigo ao teu ombro, no teu coração, no dedo mindinho do pé, sei lá, onde te der mais jeito e onde mais te lembrares de mim. Tu ficas comigo, no meu ombro, no meu coração, no meu dedo mindinho do pé. Porque depois de te ter eu já não serei eu, mas uma mescla de mim contigo a qual só serão subtraídos os anos que não olharemos juntos o horizonte nem construiremos pois o nosso. É como te digo. O amor deviam ser memórias, pois essas não se alteram. A vida muda, sei lá se o Sol nascerá amanhã, e não me venham matemáticos e astrónomos com probabilidades. Eu não sei e eles só fingem saber, porque lhes sabe bem esse sofá de lona. Para quê ficar contigo e amanhã não ver o nascer do Sol se posso ir embora e para todo o sempre recordar o pôr-do-Sol que vimos juntos? Nem eu nem tu controlamos a direcção do Amor, e eu sei lá onde aprendeu ele a conduzir. Amanhã ele pode ter um acidente e destas tragédias não há cinto nem seguro que nos valha. Perde-se perde-se, sem remédio. Por isso podes continuar sozinha, eu continuo eu, ou continuamos os dois por estradas diferentes. A nossa paragem, eumaistu, é aqui.

7 comentários:

  1. Anónimo11.11.10

    Um batida, duas batidas, talvez mais! Um dia ganho uma nova e eterna morada!

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  2. "Ele passará para sempre, mas eu só por momentos passarei por ele." - frase fantastica! Grande texto.

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  3. simplesmente este é fantástico ! nem consigo expressar =) a serio e o meu favorito ate agora + o lux dies. muito bom diogo !

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  4. Anónimo18.10.11

    Dos mais belos que aqui tens :)

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  5. E por muito que doa dizer "adeus", temos que o fazer. Por amor... Coisa estranha esse bicho! Amamos e sabemos que por isso temos de dizer "adeus", por muito que custe e doa e o coração chore. Mas é o melhor...

    Ah! E adoro o título

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  6. nem sei que dizer, só que ADORO né!!!

    epá, tá perfeito. xx

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  7. Anónimo20.12.13

    "Agora, que te tenho...
    Vou embora"

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Comentários