terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Terra do nunca

Gosto da ideia de destino, o fado tão aclamado pelo povo português. A ideia de cada pessoa estar predestinada a qualquer coisa, um talento, uma semente que nasce connosco e, assim receba boa água e carinho, possa vir a crescer e desabrochar numa grande e bela flor. A conquista de imortalidade sem que se viva para sempre, o fazer gravar os caracteres do nosso nome em pedra ou coração. Aliás, apavora-me sequer pensar que posso morrer e, num espaço de duas ou três gerações, ser esquecido. Apesar do que haja "para lá". Afinal por aqui passamos por alguma razão, viver e não fazer a diferença e não ser recordado é o mesmo que estar numa avenida apinhada de gente, dar um berro descomunal e ninguém nos ouvir. Quero ser como o Peter Pan, quero que a juventude daquilo que fui, sou e serei aqui permaneça, intocável, útil, como um iceberg que no meio de um imenso oceano se enraiza e, imponente, obriga o curso da água a desviar-se perante a sua presença.

1 comentário:

  1. Anónimo19.2.10

    adorei. Identifico-me com o que escreveste. A necessidade de deixar uma marca na humanidade, através de algo pelo qual nutro uma grande paixão ou através das pessoas que amo é um objectivo meu. Só espero estar acima das minhas próprias expectativas e anseios. Parabéns pelos textos, são muito bons mesmo, e parabéns pela coragem para partilhares os teus pensamentos, ideias e sentimentos, acho que não o conseguiria fazer. :)

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Comentários