Descobri uma cabana.
Eu já a conhecia
Já tinha os meus olhos passado
Mas madeira não era o que eu via
Nem isolada numa bolha de magia
Sol, mesmo que chuva de cada lado.
No meio de mil a cabana os calava
E nem a areia se atrevia a passar
O estreito.
Calor no peito
E dois num a dançar.
Dois num.
Há tantos que não são nenhum
E um que se desdobra em multidão.
Mas um coração
De dois nascido
É mais que material comprido
É poesia
É paixão.
Dois num.
Numa direcção.
Ainda com cê pois já curta é a palavra
Sem corte
E se o português é forte
Nem ele nem outra há que diga
O que é isto que nos liga
Onde encontrei esta sorte.
Não foi feitiço
Porque bruxas são mais reais
É mais, mais, mais
E quando acabar
Ó tempo, já foste
Vai ser tarde demais.
domingo, 27 de novembro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
A Estação do Amor
Era uma vez quatro jovens, três rapazes e uma rapariga. É importante saber que cada um entra nesta história a seu tempo, nunca em simultâneo, ainda que os gestos de um influenciem o próximo. O primeiro que importa vestia-se de castanhos e escondia-se em espinhos, uma máscara feia que disfarçava um interior mais doce. Na verdade, este jovem estava apaixonado pela rapariga já mencionada, mas mal a vira; afinal, como eu disse, cada um entra a seu tempo, e quando tentava chegar-se a ela, ela fugia. Este seco e cinzento rapaz, destruído pela sina que lhe calhara em mãos, nas noites de maior saudade (saudade do que nunca se teve? seja.) gritava e chorava a paixão que nunca acalmava.
Entre agora o seguinte jovem. Este, ouvia de longe os lamentos do primeiro. E chorava com mais força ainda, afinal as dores dos outros por vezes magoam mais que as nossas próprias. Na verdade, ao longe, ele via a amada fugidia, e percebia a razão de tal louca atracção. Testemunha e cúmplice deste amor não correspondido, vestia-se de cinzento e era frio, pois não pode ser quente aquilo que não consegue aquecer.
Fale-se agora da donzela fatal. Ignorante da trágica existência do seu pretendente, apenas sabia em rasgos do choro do segundo jovem, mas não ligava; vestia-se das cores mais alegres, vestidos cor de canto de andorinha e perfume do mel silvestre. Do fundo do seu olhar vinha o aroma da terra molhada, e estes olhos pousava-os no terceiro rapaz, quarta personagem deste conto. Amava-o pela sua majestosidade, achava-o rei de um reino repleto de ouro e quentes paixões. Mais bonita se punha quanto mais atrás chorassem, e o seu apaixonado o mesmo fazia, mas não por amor.
Na verdade, este terceiro rapaz gabava-se dos calores que lhe eram trazidos pela bela rapariga. Brilhava forte, quente, mas não gostava dela. Assim, acabava por incendiar as suas pretensões. e as cores alegres e o perfume de mel silvestre eram substituídos pelo seco e queimado. E de novo aparece o primeiro triste rapaz, também ele afectado pela superior impetuosidade do menino dos olhos da menina. Quem lhe dera ser ele, sem ser como ele.
Um dia, o primeiro rapaz, o Outono, resolveu ignorar a chamada a esta história eterna e fugir a ir ter com a Primavera, a sua amada. Ela acabou por entender quem de facto o amava, e deixou de dirigir o perfume da sua aura para o Verão, que brilhou menos intenso, carrancudo, amuado. E o Inverno chorará mais tarde, mas de alegria, pois o amor venceu. A fuga do Outono fê-lo atrasar-se, mas hoje, finalmente, bateu à porta. Já fez frio e nevoeiro, mas há algo de mágico nesta neblina; algo de primaveril. O Verão brilhou até ontem, mas só porque cá estava só e mais não sabe fazer. Queima, e nunca ama. E mesmo que a Primavera nunca mais possa receber o Outono nos braços, porque a Lei do Mundo a isso obriga, para sempre se saiba que as flores e os animais com que se veste não mais são para agradar ao Verão, mas sim porque, a partir deste ano e para sempre, está profunda, perdida e assolapadamente apaixonada pelo Outono.
Entre agora o seguinte jovem. Este, ouvia de longe os lamentos do primeiro. E chorava com mais força ainda, afinal as dores dos outros por vezes magoam mais que as nossas próprias. Na verdade, ao longe, ele via a amada fugidia, e percebia a razão de tal louca atracção. Testemunha e cúmplice deste amor não correspondido, vestia-se de cinzento e era frio, pois não pode ser quente aquilo que não consegue aquecer.
Fale-se agora da donzela fatal. Ignorante da trágica existência do seu pretendente, apenas sabia em rasgos do choro do segundo jovem, mas não ligava; vestia-se das cores mais alegres, vestidos cor de canto de andorinha e perfume do mel silvestre. Do fundo do seu olhar vinha o aroma da terra molhada, e estes olhos pousava-os no terceiro rapaz, quarta personagem deste conto. Amava-o pela sua majestosidade, achava-o rei de um reino repleto de ouro e quentes paixões. Mais bonita se punha quanto mais atrás chorassem, e o seu apaixonado o mesmo fazia, mas não por amor.
Na verdade, este terceiro rapaz gabava-se dos calores que lhe eram trazidos pela bela rapariga. Brilhava forte, quente, mas não gostava dela. Assim, acabava por incendiar as suas pretensões. e as cores alegres e o perfume de mel silvestre eram substituídos pelo seco e queimado. E de novo aparece o primeiro triste rapaz, também ele afectado pela superior impetuosidade do menino dos olhos da menina. Quem lhe dera ser ele, sem ser como ele.
Um dia, o primeiro rapaz, o Outono, resolveu ignorar a chamada a esta história eterna e fugir a ir ter com a Primavera, a sua amada. Ela acabou por entender quem de facto o amava, e deixou de dirigir o perfume da sua aura para o Verão, que brilhou menos intenso, carrancudo, amuado. E o Inverno chorará mais tarde, mas de alegria, pois o amor venceu. A fuga do Outono fê-lo atrasar-se, mas hoje, finalmente, bateu à porta. Já fez frio e nevoeiro, mas há algo de mágico nesta neblina; algo de primaveril. O Verão brilhou até ontem, mas só porque cá estava só e mais não sabe fazer. Queima, e nunca ama. E mesmo que a Primavera nunca mais possa receber o Outono nos braços, porque a Lei do Mundo a isso obriga, para sempre se saiba que as flores e os animais com que se veste não mais são para agradar ao Verão, mas sim porque, a partir deste ano e para sempre, está profunda, perdida e assolapadamente apaixonada pelo Outono.
sábado, 15 de outubro de 2011
1, 2, 3
Um
Amor? Não vejo nenhum.
Prometi que de beijos faria jejum
Ou prometeu-me a vida,
Já me esqueci.
Sei que se a paixão é espaço
Eu sou, dentro de uma latinha, atum.
Dois
Mas e depois?
Belos olhos, pois.
Ai, e o sorriso também.
Pronto
Mas a razão ganhará o confronto
O coração grita
E porra, tem força de bois...
Três
Nas entrelinhas sem querer já me lês.
E eu vou embalado.
Coitado, o coração correu desenfreado
Descarrilou
E nunca esteve tão direito.
Andar em terra parece bem perfeito
Ah, mas eu caí outra vez. De vez.
Amor? Não vejo nenhum.
Prometi que de beijos faria jejum
Ou prometeu-me a vida,
Já me esqueci.
Sei que se a paixão é espaço
Eu sou, dentro de uma latinha, atum.
Dois
Mas e depois?
Belos olhos, pois.
Ai, e o sorriso também.
Pronto
Mas a razão ganhará o confronto
O coração grita
E porra, tem força de bois...
Três
Nas entrelinhas sem querer já me lês.
E eu vou embalado.
Coitado, o coração correu desenfreado
Descarrilou
E nunca esteve tão direito.
Andar em terra parece bem perfeito
Ah, mas eu caí outra vez. De vez.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Porquê lá?
Conta-se a história de singular rapaz
Perdido numa ilha de onde só mirava água
Um oceano de lágrimas, choro, mágoa
Coisas daquelas que a vida faz.
Noite e dia corria parado
Ciente da necessidade de criar fuga
Mas não era fácil tal trabalho
"Faço, erro
Faço, refaço
Faço de novo
De novo falho."
Não queria da ilha morada eterna
E no desespero que o consumia
Gritou, buscando plateia
Fosse um homem ou sereia
Mas ninguém
Nem pedra ou animal
O ouvia.
Eis que surge de nenhuma lâmpada
Um génio sem desejos para ofrendar
Nem três
Nem dois
Nem um
É mesmo isto que aqui lês
O que lhe ofereceu verás depois
Mas desejo, nenhum.
"Onde queres ir, náufrago?
Para onde a tua embarcação?"
"Aportei do seio materno
O meu caminho é ja eterno
E barcos são etérea visão."
"Mas que buscas?
Que pretendes?
Só recebe quem o sabe pedir
Ou por sorte mera o venham acudir
Mas olho à volta e não vejo deuses
Nem mãos estendidas
Portanto, se as tuas maleitas são compridas
Fala,
E veremos."
"Quero mais, quero nova terra.
Quero paz mais que a ausência de guerra
Quero sair.
Aqui não tenho nada
Nem cama nem roupa lavada
E mal o frio começa a ganir
Sinto a mais ínfima molécula
Congelada."
"Queres ser feliz?"
"Quero viver."
"Apura então o nariz,
E começa a ver.
O mar banha-te, gratuito
As frutas nascem das árvores
Saborosas.
O Sol é também muito
E as chamas, no gelo
Serão doces prosas
E tens paisagens airosas
De arrepiar o pelo.
Tens mais do que a vista alcança
Tens cores
Sensações
Sossego.
As borboletas e a sua eterna dança
Sombras que a paterna nuvem lança
Dádivas, elas, aos milhões.
Que queres mais, rapaz?
Dinheiro?
Casas?
Materiais?
Eles corrompem a alma por inteiro
Terás amores de plástico
Insípidos
Artificiais.
Ama o que tens
E até podes desejar mais
Ter sonhos ambiciosos.
Mas sejam eles sinceros
Preciosos.
E tudo terás
Em segundos meros.
Não queiras sair da ilha
O continente tem do ódio directrizes
Há tantas
Tantas coisas à tua volta
Prontas para nos fazerem felizes..."
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Dos jardins sem flores
Há croissants sem chocolate
E jardins sem flores.
Mas não há beijo que de amor dado
Não tenha golpe encantado
De encher o cinzento de cores.
E o motor dispara
Como se fora morrer
Mas é a vida
(Plural, bem entendida)
Que lhe dá razões para não mais viver.
Porque viver é coisa mundana
E no mundo há mais que respirar
Esquece tudo, nada importa
Este poema é coisa torta
Nem podia de outra maneira acabar.
Pois se pensas que ser mais é natural
Pensa de novo, que achaste mal;
Ser mais não é viver
Ser mais, é amar.
domingo, 9 de outubro de 2011
Tic-Tac
Tic-Tac Tic-Tac
Espero um tempo que não passa
Acelera, cheio de raça
Mas quando estou cheio do teu olhar em mim.
Tic-Tac Tic-Tac
Onde estás?
Não mais chega o tempo em que o tempo anda
Ah, que esta paragem já tresanda
Fedor de saudade que só mais me faz te amar.
Não, não me estou a queixar
Mas se estou cheio de estar vazio de ti
Mas completo de tanto em ti pensar
Tenho, e não me calo, que cantar,
Uma ode ao tempo que faz só o que quer.
Tic-Tac, Tic-Tac
Vem quando quiseres
Porque em mim já chegaste.
Não corras, desliza
Porque tanto é forte o tornado
Como a doce brisa
E tu, princesa
Não és guerreira.
Lutas e de que maneira
Com o sorriso que alguém te pintou.
Tic-Tac Tic-Tac
Quanto menos te tenho mais te quero
E assim espero, não desespero
Pela tua mão que me festinha a alma.
Amor na palma
E o tempo passa
Parado
Juro-te que não estou cansado
Talvez só um pouco
(E cada vez mais)
Apaixonado.
Espero um tempo que não passa
Acelera, cheio de raça
Mas quando estou cheio do teu olhar em mim.
Tic-Tac Tic-Tac
Onde estás?
Não mais chega o tempo em que o tempo anda
Ah, que esta paragem já tresanda
Fedor de saudade que só mais me faz te amar.
Não, não me estou a queixar
Mas se estou cheio de estar vazio de ti
Mas completo de tanto em ti pensar
Tenho, e não me calo, que cantar,
Uma ode ao tempo que faz só o que quer.
Tic-Tac, Tic-Tac
Vem quando quiseres
Porque em mim já chegaste.
Não corras, desliza
Porque tanto é forte o tornado
Como a doce brisa
E tu, princesa
Não és guerreira.
Lutas e de que maneira
Com o sorriso que alguém te pintou.
Tic-Tac Tic-Tac
Quanto menos te tenho mais te quero
E assim espero, não desespero
Pela tua mão que me festinha a alma.
Amor na palma
E o tempo passa
Parado
Juro-te que não estou cansado
Talvez só um pouco
(E cada vez mais)
Apaixonado.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Conta
Contemos os sonhos
Os cumpridos e por cumprir.
Mais os que ficaram por florir
Na simples essência do pensar.
Contemos as pessoas
As que passaram e ficaram
Mais as foram e nem acenaram
As que amamos
Estimamos
As que desprezamos de tal forma
Que, por norma
Nem delas devemos falar.
Somemos à já larga conta
Aquilo que aconteceu.
Manhãs de amor que coração aqueceu
Ou noites de choro que o cérebro arrefeceu.
Mais as horas que foram minutos
Os momentos diminutos
Os segundos do tamanho de anos.
Juntem-se à factura aleatórias emoções
Como os sorrisos nascidos sem pai
Nem mãe
As lágrimas orfãs também
Todos irmãos do dia-a-dia.
Resultado.
Sou pequeníssimo dentro do próprio eu
Ou
Sou maior que o corpo que Deus me deu?
Os cumpridos e por cumprir.
Mais os que ficaram por florir
Na simples essência do pensar.
Contemos as pessoas
As que passaram e ficaram
Mais as foram e nem acenaram
As que amamos
Estimamos
As que desprezamos de tal forma
Que, por norma
Nem delas devemos falar.
Somemos à já larga conta
Aquilo que aconteceu.
Manhãs de amor que coração aqueceu
Ou noites de choro que o cérebro arrefeceu.
Mais as horas que foram minutos
Os momentos diminutos
Os segundos do tamanho de anos.
Juntem-se à factura aleatórias emoções
Como os sorrisos nascidos sem pai
Nem mãe
As lágrimas orfãs também
Todos irmãos do dia-a-dia.
Resultado.
Sou pequeníssimo dentro do próprio eu
Ou
Sou maior que o corpo que Deus me deu?
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Sei lá, qualquer coisa
A minha mente é uma caneta super espectacular colorida e que dá luz e música, mas porra, está sem tinta. Preciso mesmo de ver uma vaca a mascar e, do nada, fazer um balão com uma pastilha elástica. Tipo isto que está a nascer do nada e prepara-se para ir, de malas e bagagens, para lado nenhum, esse mítico local para onde peregrinam todos aqueles que não querem chegar a sítio algum, só não querem ficar onde estão. Eu não quero ficar onde estou, mas vá, nem me importo de ficar na cama. Posto agora ou invento mais? Qual preparação qual quê, se a caneta não tem tinta, posso rabiscar à vontade. Para ti são rabiscos... ou consegues ler-me?
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
E não te encontrei
Triste noite em que te quis mostrar a Lua, - tão bela que está! (esteve?) - e não sabia quem tu eras.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
sábado, 6 de agosto de 2011
Retrospectiva
Nascer.
Abrem-se os olhos
Sorrisos aos molhos
E eu a ver.
Comer, beber, dormir, outra vez comer.
Crescer.
Estudar, trabalhar.
Ah, e a paixão.
Depois as paixões
Que são muitos corações
Para singela acção.
O primeiro carro
E o primeiro amar.
Sonhar.
Outro carro, o mesmo amar.
Os teus olhos nos meus
Filhos meus e filhos teus
Virão, já estão a vir, já vieram.
Ah, já nasceram e cresceram
E eu a ver.
Envelhecer.
Dos filhos netos,
Muitos e mais baixos tectos.
Já não posso andar, quanto mais voar.
Voa o tempo.
Solta-se um lamento,
Ferida viva.
Ainda hoje nasci, e vou morrer.
Já morri.
Que bela retrospectiva.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Para onde foste?
I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river and it made me complete
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place we used to love?
Is this the place that I've been dreaming of?
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
And if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
[break]
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
So if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
So why don't we go
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river and it made me complete
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place we used to love?
Is this the place that I've been dreaming of?
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
And if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
[break]
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
So if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
So why don't we go
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Vazio
Mas de todos os grandes problemas da vida, a grande facada no meu peito é encher uma tigela de cereais e depois descobrir que não tenho leite.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Medicação
O meu irmão pequenino está a gritar outra vez. Sabes, eu antes ia para o pé dele e tentava acalmá-lo, mas já desisti. Um dia bateu-me e tudo, mas nem foi na cara que isso mais magoou. Dói agora mesmo, que ouço os berros desesperados... já fechei a porta e pus fones nos ouvidos, mas os gritos permanecem na minha cabeça, talvez por eu sempre procurar se já cessaram. Desde que ele nasceu que ouvi os meus pais comentarem que ele tinha problemas, mas nunca percebi bem. Até certa altura, tudo parecia normal... depois, tudo começou. Sem razão aparente, tinha acessos de raiva; outras vezes, só dizia coisas sem sentido.Uma noite veio ter à minha cama, sem fazer barulho. Acordei de repente por causa da respiração dele na minha cara, tinha os olhos imensamente abertos. Assustei-me tanto! E começou a sussurrar há pessoas no meu quarto, há pessoas no meu quarto! E a voz foi aumentanto, vi bichos no tecto, cobras de baixo da cama! Daí a nada eram já berros, O ARMÁRIO ESTÁ A ARDER, E QUEIMA CÁ POR DENTRO! Entretanto os meus pais chegaram e levaram-no, enquanto o foram acalmando. Isto foi quando ele tinha cinco anos, tem agora oito. Sempre foi muito espero ele, principalmente na maneira de falar. Parecia muito mais velho. Numa manhã, aqui há uns dias, disse-me que gostava muito de mim e pediu desculpa por às vezes se portar tão mal. Disse ele que podia ser um bom menino e portar-se bem. E depois pediu-me uma coisa esquisita; mano, não deixes que ninguém me leve, por favor. Tenho medo dos senhores de branco... Calculei que fossem médicos, mas não consegui saber por que raio teria ele medo deles, ou porque recearia que alguém o levasse, pois entretanto a minha mão chegou ao pé de nós.
Os gritos, que entretanto tinham parado, recomeçaram. Mas eram diferentes, agora. SOCORRO, SOCORRO, ouvia-se. JOÃO, MANO, SALVA-ME! O rapaz saiu do quarto e foi até ao do irmão; não tinha reparado no rebuliço que se tinha instalado. Estavam na casa um grupo de médicos que tinham vindo buscar o pequeno Pedro. João sabia que ele se recusara, nos últimos tempos, a ir ao hospital, e os crescentes ataques de raiva e alucinações deviam ter precipitado a necessidade de o internar. Assim que Pedro viu o irmão, estendeu os braços em busca de socorro, mas tinha dois homens a tentar prendê-lo a uma maca. A mãe chorava desconsolada, enquanto o pai tentava, em vão, acalmar o filho. Eles sabiam, e João também soube, que estavam a entrar num caminho sem retorno. E Pedro sentia-o também: Não os deixes, mano, não os deixes. Ajuda-me, salva-me, eles vão matar-me, ELES VÃO MATAR-ME.
João não suportou o cenário e voltou para o quarto. Foi para a janela. Na televisão, alguém falava de Deus, diziam eles que Ele estava lá em cima e ouvia os nossos pedidos.
Não sei se existes, mas se estás mesmo aí em cima, por favor, ouve-me. Estão agora a levar o meu irmão para o hospital, e sei que ele vai ficar lá, preso. Criaste-nos para sermos presos em camas e comprimidos? Já nem te pergunto porque é que fizeste o meu maninho assim. Só te peço uma coisa, apesar de saber que é errada... por favor, leva a vida do meu irmão.
Os gritos, que entretanto tinham parado, recomeçaram. Mas eram diferentes, agora. SOCORRO, SOCORRO, ouvia-se. JOÃO, MANO, SALVA-ME! O rapaz saiu do quarto e foi até ao do irmão; não tinha reparado no rebuliço que se tinha instalado. Estavam na casa um grupo de médicos que tinham vindo buscar o pequeno Pedro. João sabia que ele se recusara, nos últimos tempos, a ir ao hospital, e os crescentes ataques de raiva e alucinações deviam ter precipitado a necessidade de o internar. Assim que Pedro viu o irmão, estendeu os braços em busca de socorro, mas tinha dois homens a tentar prendê-lo a uma maca. A mãe chorava desconsolada, enquanto o pai tentava, em vão, acalmar o filho. Eles sabiam, e João também soube, que estavam a entrar num caminho sem retorno. E Pedro sentia-o também: Não os deixes, mano, não os deixes. Ajuda-me, salva-me, eles vão matar-me, ELES VÃO MATAR-ME.
João não suportou o cenário e voltou para o quarto. Foi para a janela. Na televisão, alguém falava de Deus, diziam eles que Ele estava lá em cima e ouvia os nossos pedidos.
Não sei se existes, mas se estás mesmo aí em cima, por favor, ouve-me. Estão agora a levar o meu irmão para o hospital, e sei que ele vai ficar lá, preso. Criaste-nos para sermos presos em camas e comprimidos? Já nem te pergunto porque é que fizeste o meu maninho assim. Só te peço uma coisa, apesar de saber que é errada... por favor, leva a vida do meu irmão.
domingo, 17 de julho de 2011
sábado, 16 de julho de 2011
Covinhas
Foi depois de mil redes de buracos furados
Que apareceu o teu sorriso, e me quis prender.
O chão não era nada
A lua, distanciada
No meio deambulava, perdido, sem ver.
Corria parado voando debaixo de água
Absorto nos pensamentos que julgava serem sentir
E sorriste, tranquila
A cidade enorme fez-se vila
Calada, eu podia-te ouvir.
Faziam covinhas as tuas rubras faces
Escondias no sorriso a cor intensa do ar
Tornou-se Verão o que era Inverno
Subi ao Céu vindo do Inferno
E só quero as tuas covinhas saborear.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Agora
As palavras duram para sempre, e geralmente os posts deste blog também. Pois, são feitos com palavras. Este será diferente. Vão à janela, agora, e vejam a Lua, agora. É como aquela rapariga bonita da nossa escola que aparece no baile de finalistas ainda mais bonita. Pois bem, é este o meu poema de hoje. Se não o lerem, agora, passou. Mais virão.
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