De madrugada foi nado
De tarde, cresceu
À noite glorificado
E nunca morreu.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Hibernu
Mais facilmente apreciamos aquilo que não temos e isso é visível em muitas situações. No Verão, quando está calor, não precisamos de nos preocupar com o incómodo frio, damos a temperatura amena como garantida e ah!, vamos à praia. Mas a mim, o que dá gozo, é o Inverno. Não, não gosto de frio! E detesto ter os pés molhados e usar quilos de roupa. Mas nada supera a satisfação do adormecer tapadinho na cama com o som da chuva a fustigar a janela, ou estar sentado no sofá de pantufas bem felpudas a ler um bom livro enquanto a lareira crepita, dançarina. Mas mesmo lá fora reinam momentos de pura magia. Se um passeio ao Sol é agradável, andar à chuva sem destino é tão mais poético. Venham narizes a pingar, venham tosses, venha o que vier. Andar à chuva é dar a nós mesmos uma liberdade total, deixar as gotas inundarem-nos a cara e a roupa colar-se à nossa pele. E até podemos chorar de alegria, que ninguém nota.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Artes
Leonor, o que queres ser quando fores grande?
Ah, eu não sei como se chama, mas eu quero olhar para um prédio de tijolos cinzentos e telhas caídas e transformá-lo numa casa muito bonita e acolhedora! Quero pegar em pedras e areia e criar coisas bonitas, quero fazer do feio e inútil algo bonito e que sirva para alguma coisa!
Boa! Então e tu, Dinis?
Eu? Eu também.
Também queres ser o mesmo que a Leonor?
Sim, quero ser poeta.
Ah, eu não sei como se chama, mas eu quero olhar para um prédio de tijolos cinzentos e telhas caídas e transformá-lo numa casa muito bonita e acolhedora! Quero pegar em pedras e areia e criar coisas bonitas, quero fazer do feio e inútil algo bonito e que sirva para alguma coisa!
Boa! Então e tu, Dinis?
Eu? Eu também.
Também queres ser o mesmo que a Leonor?
Sim, quero ser poeta.
E nada mais importa
Dois pares de olhos
Um olhar
Menos de um momento
Nenhuma respiração
Um aperto no coração
Um brotar de sentimento
Um destino a trabalhar.
Doze pares de horas
(Doze pares de meses?)
Zero vontade de comida
Menos ainda de dormida
Mil orações, mil preces.
Uma paisagem de magia
Cem frases e versos
Um imenso calar
Dez dedos a entrelaçar
Outros dez que ficam dispersos.
Um beijo.
Um olhar
Menos de um momento
Nenhuma respiração
Um aperto no coração
Um brotar de sentimento
Um destino a trabalhar.
Doze pares de horas
(Doze pares de meses?)
Zero vontade de comida
Menos ainda de dormida
Mil orações, mil preces.
Uma paisagem de magia
Cem frases e versos
Um imenso calar
Dez dedos a entrelaçar
Outros dez que ficam dispersos.
Um beijo.
domingo, 26 de setembro de 2010
Rumo nenhum
Só sinto e ando sempre perdido
Não penso, dizem que peco
Mas se rumo mantiver esquecido
Sempre perdido, nunca me perco.
Não penso, dizem que peco
Mas se rumo mantiver esquecido
Sempre perdido, nunca me perco.
sábado, 25 de setembro de 2010
Desencontro
O menino só queria descobrir e quando cresceu essa fome não mudou. O menino, o rapaz, o homem, sempre olhou fascinado para as lutas dos vikings, as conquistas dos reis, as descobertas portuguesas. Sempre o fsacionou o desconhecido por desvendar, o mistério, a dificuldade dos enigmas. Ele só amava verdadeiramente o que nunca tinha visto. Mesmo na idade dos namoros, parecia menos gostar depois de saber o nome da menina, de lhe dar o primeiro beijo, enfim, depois da novidade. Pobre menino, nasceu numa era em que tudo se conhece, e o que não conhece, outros o encontram em fracções de segundo. Sentamo-nos em frente a uma televisão e quilos de informação entra-nos pelos olhos, processo a que já chamaram lavagem cerebral, agora chamam entretenimento. Tivesse nascido séculos antes e teria sido Imperador, Rei, Capitão da mais larga e famosa e poetizada frota. Um triste desperdício, este desencontro causado pelo Tempo.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Pena
Saudades das cartas que nunca escrevi
Falta dos pombos que não fiz voar
Promessas de amor que não vou enviar
Porque há pouco, pouquinho tempo nasci.
O tempo era amigo da ansiedade
Que só aumentava o desejo
Hoje, se quero dar um beijo
Mando uma mensagem, virtual realidade.
Ah, o papel só por si era amor
A tinta, sozinha, poesia
Só queres carne sem bateria
E eu não te dou o carregador.
Falta dos pombos que não fiz voar
Promessas de amor que não vou enviar
Porque há pouco, pouquinho tempo nasci.
O tempo era amigo da ansiedade
Que só aumentava o desejo
Hoje, se quero dar um beijo
Mando uma mensagem, virtual realidade.
Ah, o papel só por si era amor
A tinta, sozinha, poesia
Só queres carne sem bateria
E eu não te dou o carregador.
Trovoada
O mar estava calmo, sereno
E embalava como a mãe ao filho
Ao longe, mal se via terreno
Só mesmo o do farol brilho.
E eu vidrado olhava
O azul que não me enchia
Porque, enquanto balouçava
Era só frenesim que queria.
E dentro de mim nasce um furor
Uma raiva boa incontrolada
É poesia, paixão, amor
No mar sereno, trovoada.
E embalava como a mãe ao filho
Ao longe, mal se via terreno
Só mesmo o do farol brilho.
E eu vidrado olhava
O azul que não me enchia
Porque, enquanto balouçava
Era só frenesim que queria.
E dentro de mim nasce um furor
Uma raiva boa incontrolada
É poesia, paixão, amor
No mar sereno, trovoada.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Desconhecido
Descobrir-se-ão mares e terras e planetas e galáxias, o Homem cerrará fileiras Universo fora mas, como nunca olha para trás, nunca verá a face oculta da Lua. E será por ela que sempre estará apaixonado, porque é sobre o que não se entende que se faz poesia.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Só sentido
Dizem eles que o amor, como tudo, é algo exacto, racional, explicável. Dizem que resulta de uma série de não-sei-quês quimícos que acontecem cá dentro, como a fome, ou uma doença, ou o que seja. Tristes. Dizem até que há como simular a sensação de estar apaixonado, li eu que comendo chocolate, a tablete, para além de amêndoas ou arroz, manda cá para dentro uma substância qualquer que provoca isso. Mas o que é isto? Claro que o chocolate me pode fazer sentir apaixonado, mas também o faz sentir o cheiro da terra molhada, comer uma bela de uma tosta mista, ver um sorriso de uma criança, olhar para uma paisagem e não lhe perceber nada de cinzento, mesmo que o tenha. Não há substâncias nisto, há sentimentos, e esses não se explicam. Não tentem explicar o amor, até porque ao fazê-lo estão a gastar páginas que vieram de árvores que por terem sido cortadas já não podem fazer sombra a um poeta que queria, ele sim, escrever amor. O amor tem a sua química sim, mas não é mais que isto: olhar para uma pessoa que não conhecemos e adivinharmos anos de vida ao seu lado, beijar alguém e trocar bem mais do que um beijo, ler num momento versos que preencheriam uma vida. Química é perdermos a fome porque simplesmente não faz sentido comer, perder o sono apesar do desejo imenso de sonhar com a pessoa que amamos, é sentir forças para correr maratonas sem nunca se cansar, é pouco nos interessarmos se faz chuva ou se faz Sol. Posso continuar a dar exemplos, mas tal como acontece com a ciência, nunca conseguirei traduzir em palavras; porque pode acabar o mundo, pode deixar de haver tempo e espaço, pode o Sol brilhar de noite e a Lua encantar o dia, que nunca, nunca o amor será explicado.
sábado, 18 de setembro de 2010
Barco negro
De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]
Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:
São loucas! São loucas!
Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]
No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.
Fado de Amália Rodrigues
(E já lá vão 200 posts!)
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]
Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:
São loucas! São loucas!
Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.[Bis]
No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.
Fado de Amália Rodrigues
(E já lá vão 200 posts!)
Dar um pouco mais do que tens
Sou rei senhor majestoso
Mal penso já estou a mandar
Não preciso de usar arte, dom precioso
Que até tenho, posso jurar.
Eu sou pobre, nem de mim senhor
Nem bolso posso dizer que tenho
Mas sou pleno, mais que de mim maior
Sou poeta, não conheço tamanho.
Da Arte somos dois parte
E a Arte não pede aquilo que não manténs
Pede que nada do que é teu te aparte
É só dar um pouco mais do que tens.
Mal penso já estou a mandar
Não preciso de usar arte, dom precioso
Que até tenho, posso jurar.
Eu sou pobre, nem de mim senhor
Nem bolso posso dizer que tenho
Mas sou pleno, mais que de mim maior
Sou poeta, não conheço tamanho.
Da Arte somos dois parte
E a Arte não pede aquilo que não manténs
Pede que nada do que é teu te aparte
É só dar um pouco mais do que tens.
A flor
Ontem ele passaste pelo jardim e adoraste a flor que lá viste. Conheceste-a, soubeste dela mais do que cores e texturas e cheiros e formas. Mas foste embora. E hoje, hoje não passaste pelo jardim. A flor, hoje, sei-o eu, mudou. Cresceu, ficou mais bela, a determinada altura não suportou o peso da própria majestosidade e envelheceu, murchou. Amanhã talvez queiras saber da flor, talvez te lembres dela e a saudade fale mais alto que outras coisas que falam demais, sem dizer muito. Talvez a queiras ver de novo, agarrado à imagem que de ontem guardaste; mas a flor não vai lá estar, pode já nem haver jardim, sabes? Hoje era a hora, amanhã, amanhã pode ser sempre tarde demais.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Nos braços
Um abraço, um abraço de ternura, forte, seguro, é aquilo que em adultos mais temos de parecido com o colo de Mãe. E não há oásis, não há ilha, não há muro nem escudo nem fogo que nos proteja, alente, aqueça e acolha tanto como um abraço faz.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Beijo
Terminam segundos que foram minutos
Cessam minutos que pareceram horas
Tocam-se os lábios, doces frutos
Como que morangos, uvas, amoras.
Pára o tempo, acaba o espaço
Tudo é tudo e não é nada
Céu e mar formam um laço
E... não será um canto de fada?
Pode terminar mas não tem fim
Um momento que é eternizado
O meu coração já não me quer a mim
E o teu sorriso está em mim colado.
Venham montanhas, rios, vulcões
Levanto rochas e olhos e almas
Sei lá de ódio e choro e vilões
O vento não corre, tempestades são calmas.
Há grãos de areia que valem vida
Ficam numa dimensão, conto perdido
E se é na boca que faz o beijo a ferida
É o lado esquerdo que sai aquecido.
Cessam minutos que pareceram horas
Tocam-se os lábios, doces frutos
Como que morangos, uvas, amoras.
Pára o tempo, acaba o espaço
Tudo é tudo e não é nada
Céu e mar formam um laço
E... não será um canto de fada?
Pode terminar mas não tem fim
Um momento que é eternizado
O meu coração já não me quer a mim
E o teu sorriso está em mim colado.
Venham montanhas, rios, vulcões
Levanto rochas e olhos e almas
Sei lá de ódio e choro e vilões
O vento não corre, tempestades são calmas.
Há grãos de areia que valem vida
Ficam numa dimensão, conto perdido
E se é na boca que faz o beijo a ferida
É o lado esquerdo que sai aquecido.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Encontro
E o tempo foi destruído, conheceu final o que início nunca teve ou se conheceu. E deixaram de haver segundos e horas, e meses e estações. E o Sol e a Lua que, amantes até então um do outro desconhecidos, viram mais um do outro que simples raios de luz. O horizonte rectilíneo deixou de ter forma e o Céu caiu no Mar que teve sempre tudo de si. A ave do ar soube o que era a segurança da terra, enquanto o peixe da água sentiu o calor apaixonante do fogo. Existiu um equilibrio e tudo, tudo encontrou a plenitude da sua essência. Parece e é chamado de fim do mundo, mas não será mais que um recomeço justo, harmonioso. Um encontro entre o Planeta e tudo o que nunca foi nem deveria ter deixado de ser.
domingo, 12 de setembro de 2010
A caminho
A vida não é mais que um meio-caminho entre ponto nenhum e o nosso lar, que está exactamente depois de tudo aquilo que conhecemos, perto do que julgamos conhecer.
sábado, 11 de setembro de 2010
...
Estou muito feliz e queria aqui partilhá-lo, soube hoje que entrei para a Faculdade de Letras, no curso que queria, Estudos Artísticos, variante de Artes e Culturas Comparadas! É um nome esquisito, mas é exactamente o que procuro...
Lux nocti
Ah, pobres. Dizem, como quem diz "eles", que a noite é má conselheira. Pois o dia fala muito, e mexe e gesticula, mas se muito fala, pouco diz. De olhos abertos, vê-se bem menos. A noite, por seu lado, escuta, escura. Poucas vezes fala, só mesmo quando o luar acaricia as ondas do mar ou um perdido grilo dá alma da sua cantoria baixinha, suave, embaladora. A noite não dá maus conselhos, simplesmente não os dá; dá-nos algo bem mais útil, chamemos-lhe. Dá-nos as estrelas agrupadas em constelações, dá-nos sonhos, dá-nos reflexão. A noite deixa que paremos e pensemos e sejamos um pouquinho mais poetas. E se sabes o que é sentir assim, já nem precisas de ser aconselhado. Porque o dia te parece luz e a noite te parece negra, mas no escuro do fecho dos teus olhos conseguues perceber o avesso branco do preto que nunca te tapou a vista, só ta deu.
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