sexta-feira, 15 de julho de 2011
Agora
As palavras duram para sempre, e geralmente os posts deste blog também. Pois, são feitos com palavras. Este será diferente. Vão à janela, agora, e vejam a Lua, agora. É como aquela rapariga bonita da nossa escola que aparece no baile de finalistas ainda mais bonita. Pois bem, é este o meu poema de hoje. Se não o lerem, agora, passou. Mais virão.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
A Fuga
Há uns dias fui dar de comer ao meu piriquito, e mudar-lhe a água, como é hábito. No dia seguinte fui lá de novo, e ele tinha fugido. Sem querer, deixei a porta da gaiola aberta...
Tenho a certeza que ele morreu, mas também tenho a certeza que hoje o ouvi cantar através da janela. Quando é que alguém deixará também a minha porta aberta, tencionalmente sem querer?
Tenho a certeza que ele morreu, mas também tenho a certeza que hoje o ouvi cantar através da janela. Quando é que alguém deixará também a minha porta aberta, tencionalmente sem querer?
A estrela
Era uma vez uma estrela. Vivia no espaço, como quase todas as estrelas (há umas que vivem em olhos). E tinha amigas estrelas, e amigos cometas. Os planetas eram demasiado grandes para serem amigos delas. Esta estrela tinha um sonho, que era o mesmo de todas as estrelas do espaço; brilhar tanto como o Sol, que é, de quase todas as estrelas, a mais especial (as dos olhos voltam a ser excepção). Mas havia um problema; ninguém sabia como era possível brilhar tanto quanto o Sol, porque todas aquelas que se pensava terem conseguido, desapareciam! A sorte deste conto, e de muitos outros, é que o facto de o sonho poder significar a morte nunca as fez deixar de sonhar.
Um belo dia, que no espaço é sempre noite, a nossa estrela conheceu um cometa. Bem, ela já o conhecia, mas algo nas suas belas crateras a despertou daquela vez para algo mais. Dentro de si, a estrela sentiu crescer um pequenino ardor, nada de mais, mas suficiente para ser sentido. Ela não sabia o que era. Nem sei eu, ainda, mas descobriremos. Se as estrelas dormissem, aquele ardor teria tirado o sono à nossa estrela. E se comessem, bem, ter-lhe-ia roubado o apetite. E se pudessem escrever, talvez tivesse escrito umas coisas parvas. Ah, e se fosse gente como nós e falasse com estrelas, então teria falado. Se calhar, por ser estrela, falou com gente, sentada num banco de jardim numa manhã qualquer. Mesmo que no espaço não haja manhãs nem bancos de jardim. Outra coisa que não há no espaço é tempo (e no tempo, há espaço?). O que é bastante aborrecido, visto que agora queria escrever que cada dia que passava o ardor crescia mais. Bem, de cada vez que a estrela via o cometa, o ardor aumentava. Um dia, ela tentou chegar-se ao pé dele e falar-lhe desse ardor. A única coisa que lhe saiu, claro está, foi um "parece que vai chover", o que fez com que o cometa ficasse a achar que a estrela era maluca, afinal, o que raio é a chuva?
O ardor cada vez crescia mais. O espaço pode ser infinito, mas a pequenina estrela não, e um dia não suportou mais. "Olha, cometa, eu gosto de ti. Estou apaixonada por ti. Queres namorar comigo?". A ideia teria sido dizer mais ou menos isto, mas quando a estrelinha chegou ao pé do cometa, ele estava a declarar-se a outra estrela, que nem sequer era mais brilhante, aqui para nós. E então, a estrela fugiu a correr, ao mesmo tempo que rebentou. E brilhou como o Sol! E correu, correu, correu. Cá na terra, um rapaz apaixonado e também sofrido de amores viu-a passar, fugaz, no céu negro. Desejou que ela o levasse com ela. Nunca saberia a sua história nem ela a dele, e no entanto, por segundos, abraçaram-se num desejo comum.
Um belo dia, que no espaço é sempre noite, a nossa estrela conheceu um cometa. Bem, ela já o conhecia, mas algo nas suas belas crateras a despertou daquela vez para algo mais. Dentro de si, a estrela sentiu crescer um pequenino ardor, nada de mais, mas suficiente para ser sentido. Ela não sabia o que era. Nem sei eu, ainda, mas descobriremos. Se as estrelas dormissem, aquele ardor teria tirado o sono à nossa estrela. E se comessem, bem, ter-lhe-ia roubado o apetite. E se pudessem escrever, talvez tivesse escrito umas coisas parvas. Ah, e se fosse gente como nós e falasse com estrelas, então teria falado. Se calhar, por ser estrela, falou com gente, sentada num banco de jardim numa manhã qualquer. Mesmo que no espaço não haja manhãs nem bancos de jardim. Outra coisa que não há no espaço é tempo (e no tempo, há espaço?). O que é bastante aborrecido, visto que agora queria escrever que cada dia que passava o ardor crescia mais. Bem, de cada vez que a estrela via o cometa, o ardor aumentava. Um dia, ela tentou chegar-se ao pé dele e falar-lhe desse ardor. A única coisa que lhe saiu, claro está, foi um "parece que vai chover", o que fez com que o cometa ficasse a achar que a estrela era maluca, afinal, o que raio é a chuva?
O ardor cada vez crescia mais. O espaço pode ser infinito, mas a pequenina estrela não, e um dia não suportou mais. "Olha, cometa, eu gosto de ti. Estou apaixonada por ti. Queres namorar comigo?". A ideia teria sido dizer mais ou menos isto, mas quando a estrelinha chegou ao pé do cometa, ele estava a declarar-se a outra estrela, que nem sequer era mais brilhante, aqui para nós. E então, a estrela fugiu a correr, ao mesmo tempo que rebentou. E brilhou como o Sol! E correu, correu, correu. Cá na terra, um rapaz apaixonado e também sofrido de amores viu-a passar, fugaz, no céu negro. Desejou que ela o levasse com ela. Nunca saberia a sua história nem ela a dele, e no entanto, por segundos, abraçaram-se num desejo comum.
terça-feira, 7 de junho de 2011
A Paixão
-É bom sinal gostarmos das mesmas músicas.
-Ora, como se fosse o mais importante...
-Bem, ao menos podemos amar-nos.
-Como assim?
-"Não se ama alguém que não ouve a mesma canção", nunca ouviste dizer?
-Claro, isso é do Rui Veloso. Adoro essa música!
-Tem graça, eu também...
-Ora, como se fosse o mais importante...
-Bem, ao menos podemos amar-nos.
-Como assim?
-"Não se ama alguém que não ouve a mesma canção", nunca ouviste dizer?
-Claro, isso é do Rui Veloso. Adoro essa música!
-Tem graça, eu também...
sábado, 28 de maio de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
Não sei que título dar a isto
Eu sempre fui um poço cheio, até encontrar alguém que tinha mais sede do que eu.
Com a prenda do padrinho
[refrão:]
Com a prenda do padrinho
A partir de agora, eu tenho
(verde, amarelo, azul-marinho,
encarnado, preto e castanho)[bis]
De verde pintei a campina
sorridente ao sol da manhã
(amarela era a flor pequenina
qu'eu colhi para dar à mamã)[bis]
[refrão]
De azul pintei o mar sem fim
e de azul o céu vai aparecer
(encarnada era a rosa ao pé de mim
de tão linda nem a pude colher)[bis]
[refrão]
De preto pintei a noite escura
onde ninguém se quer aventurar
(castanha era a árvore madura
com tantos frutos a enfeitar)[bis]
Com a prenda do padrinho
A partir de agora, eu tenho
(verde, amarelo, azul-marinho,
encarnado, preto e castanho)[bis]
De verde pintei a campina
sorridente ao sol da manhã
(amarela era a flor pequenina
qu'eu colhi para dar à mamã)[bis]
[refrão]
De azul pintei o mar sem fim
e de azul o céu vai aparecer
(encarnada era a rosa ao pé de mim
de tão linda nem a pude colher)[bis]
[refrão]
De preto pintei a noite escura
onde ninguém se quer aventurar
(castanha era a árvore madura
com tantos frutos a enfeitar)[bis]
José Barata Moura
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Plataforma
Atenção senhores passageiros, andai
Que vai chegando o comboio que é devido
Já não é o tempo restante comprido
Por isso as vossas bagagens enchei e carregai.
Malas enormes, outras muito pequenas
Abertas, nem que pouco, todas elas
Carregadas devagar, como chama de velas
Tardes de chuva ou manhãs amenas.
Caladas as bocas do que é fala
Os olhos, esses, nenhuns se calavam
No silêncio do que sentiam falavam
Consoante o que (não) traziam na mala.
Olhei a minha, já esperante
Da carruagem que por mim chegaria
E nela vi o que nela trazia
Cada objecto um relógio falante.
Pessoas, sonhos, e tesouros.
Que valiam como ponteiros no espaço
Cada um beijo, cada um abraço
Aos seus olhos azuis, e cabelos louros.
Ah, tempo perdido, e mesmo o ganho já saudade
O que tenho e de que posso fazer uso?
O tempo que mas deu, é agora intruso
Leva-me daqui, para longe da realidade.
Atenção senhores passageiros, andai
Que vai chegando o comboio que é devido
Já não é o tempo restante comprido
Por isso as vossas bagagens enchei e carregai.
A vida rica vira pobre, é assim norma
Chega o comboio, e leva-me a bagagem
Eu fico, tanto real quanto miragem
Na indefinida e desconhecida plataforma.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
O Silêncio, outra vez.
De súbito, as palavras não chegam. São pequeninas mesmo que com mil letras, e Deus sabe que eu amo as letras. É verdade que as palavras dizem muito, e até o dizem de uma maneira bonita, mas não dizem tudo, não podem dizer tudo. Disse-te que tudo o que existia tinha nome. Menti. Sem querer. Há coisas sem nome, sem palavra. Há coisas que só acontecem, só se sentem, só são verdade. Dizê-las é mentir, porque não se diz, não se diz! O que é que é suposto eu escrever agora? A poesia são palavras e letras, sim, mas é chegado o momento glorioso da vida de um poeta em não há métrica nem figuras de estilo onde se possa enfiar tudo aquilo que se quer dizer. Eu não quero dizer, e já me calei. Tudo há-de ser dito, em silêncios. Sem medos, nem pressas.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Óasis
A areia queimava-me os pés, aquecida pelo Sol que outrora fazia parte de um sonho e não do pesadelo. Água era um pretérito-imperfeito, doutra maneira poderia ser futuro. E eu já não acreditava no futuro, pelo menos não em um diferente do hoje e igual ao de ontem. A dor nem sequer era sentida, aliás a dor era o não sentir. Água, água, água, onde andas? Tive-te na mão, de ti bebi, eras espelho sem sequer reflectires a minha cara. Podia para e só morrer, mas a esperança é a última a morrer e se eu parasse ela morreria antes de mim. Ah, a esperança não me movia, eu é que a mantinha viva, como aquelas pessoas que não apagam os fósforos tão só e apenas porque ainda há madeiro para queimar. E esta nem me queimava os dedos... À frente, água e plantas e flores e, enfim, vida. Parei. Se for uma miragem, poderei parar de vez, mais vale andar sem destino do que parar para conhecer o último (valerá?). Se não for mesmo água... Oh, esqueçam, já não posso voltar atrás.
domingo, 15 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
O Silêncio
Cala-te.
Estou farto de não te ouvir,
Farto das tuas palavras vazias de palavra.
Cala-te.
Não torno a repetir.
Que é mais doce a calada larva
Pronta a crescer e florir.
Se não falam as folhas azul contra
Ou as pedras velhas da calçada
Porque falas tu, danada
Usando dos dentes vazia montra?
O som é barato e de comum uso
Tudo o pensado é também falado
O sentido, esse, é o ouro
Descoberto nas minas do silêncio calado.
Estou farto de não te ouvir,
Farto das tuas palavras vazias de palavra.
Cala-te.
Não torno a repetir.
Que é mais doce a calada larva
Pronta a crescer e florir.
Se não falam as folhas azul contra
Ou as pedras velhas da calçada
Porque falas tu, danada
Usando dos dentes vazia montra?
O som é barato e de comum uso
Tudo o pensado é também falado
O sentido, esse, é o ouro
Descoberto nas minas do silêncio calado.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
quinta-feira, 12 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
A estupidez
Foi antes do Sol nascer que as cores e o silêncio começaram, e foi depois de ele despontar no céu que deixaram de ser vividas. Não sei se foram momentos, horas, dias ou uma vida, afinal de contas, não é uma questão de tempo.
domingo, 8 de maio de 2011
Um sonho acordado
Juro que queria pôr uma foto do Jardim da Estrela como fundo do blogue, mas eu e as tecnologias temos uma relação difícil. Fica ao lado, pequenina. Entretanto calhou que eu fosse lá ontem (ontem Sexta e não ontem Sábado, é que apesar de já serem quase 5 da manhã para mim é Sábado até que o Sol nasça) e uma música tornou-se numa espécie de fundo estranhamente harmonioso para o Jardim. São agora, na minha cabeça, indissociáceis. Aqui está ela:
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